Acta da assembleia-geral da SPH 2015

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SOCIEDADE PORTUGUESA DE HEMATOLOGIA (SPH)

REUNIÃO ANUAL 13/NOV/2015

Figueira da Foz

ACTA DA REUNIÃO

Serve o presente documento para relatar o ocorrido na assembleia-geral da SPH que decorreu durante a reunião anual da SPH em 13 de Novembro de 2015 às 19h00m, na Figueira da Foz.

A Prof. Dra. Maria Gomes da Silva presidiu à assembleia-geral e deu início à ordem de trabalhos pela leitura da acta anterior, referente à última assembleia-geral decorrida na reunião anual de 2014. Esta foi aprovada por unanimidade (número total de presentes 30).

O Prof. Dr. José Eduardo Guimarães leu o relatório da direcção realçando alguns aspectos que se passa a citar:

1) Disponibilização de verbas anuais de 10 000€ para suportar grupos de interesse em patologias, no âmbito da SPH. Essa verba destina-se a apoiar grupos que não disponham de fonte própria de financiamento, como donativos, ou de qualquer patrocínio, nomeadamente da indústria farmacêutica, com o objectivo de adquirirem uma maior autonomia e poder de iniciativa.

2) Proceder ao trânsito dos valores/montantes (aproximadamente 20 000€) não gastos com bolsas no ano transacto, para o ano seguinte de 2016.

A Dra. Inês Carvalhais leu o relatório de contas com os seguintes pontos mais relevantes: A SPH obteve um lucro de 37 175,55€, um total de custos de 196 214,07€ e um total de proveito de 233 389,62€. O total de activos bancários a 01/11/2015 constava de 602 247,16€. O relatório de contas foi aprovado pela assembleia por unanimidade.

Ficou acordado que a reunião seguinte da SPH decorrerá em Espinho nos dias 17, 18 e 19 de Novembro com um programa que incluirá 2 cursos na manhã de 17/11 e simpósios satélites na tarde de 17/11, sendo organizada pelo Serviço de Hematologia do Hospital de S. João. A reunião da SPH de 2017 será organizada pelo Serviço de Hematologia do Hospital de Santa Maria, como foi confirmado pelo Dr. João Raposo. O Prof. Dr. José Eduardo Guimarães fez um resumo do programa provisório da reunião do próximo ano. Realçou a importância da criação da “Lição Abel Salazar”  como forma de honrar o seu gosto pela Hematologia e propôs a criação de uma “Junior Lecture” (que já existiu em reuniões anteriores) para motivar os jovens hematologistas a colaborarem activamente na SPH.

O Prof. Dr. José Eduardo Guimarães expressou a sua preocupação com o futuro da SPH e com o objectivo de a dinamizar propôs:

1) A formação de uma comissão educacional com um programa próprio e uma constituição própria para implementar uma política formativa activa.

2) A criação de Bolsas de formação avançada, que poderia obrigar à revisão do regulamento de Bolsas e à criação de 1 ou 2 concursos anuais.

3) Referiu que a SPH poderia ter um papel mais activo como no suporte ao desenvolvimento de estudos clínicos, quer através da criação de apoios financeiros , quer através da formação de uma comissão científica, para validar com isenção a qualidade dos projectos. Essa Comissão seria formada por elementos da Direcção da SPH, dos respectivos grupos de interesse, e adicionalmente 2 ou 3 sócios.

4) Formação de um novo grupo  activo no âmbito da SPH, a Associação dos Jovens Hematologistas, constituída por internos e jovens especialistas até aos 2 anos após conclusão do internato, que teriam a responsabilidade de organizar reuniões periódicas, fora e no âmbito do espaço da reunião anual da SPH. Foi lembrado que tem havido menos convites para congressos da parte da Indústria Farmacêutica e que a SPH poderia suportar activamente a participação dos internos em reuniões formativas ministradas por entidades acreditadas.

5) Foi ainda proposta a revisão do valor das quotas para internos. A quota da SPH para os internos passaria a ser 30€/ano.

Realçou-se a importância do Prof. António Almeida como elemento de transmissão de informação entre a SPH e a EHA. Foi publicitada a reunião dos presidentes das Sociedades de Hematologia europeus, nomeadamente as Britânica, Italiana e Espanhola, a criação de material didáctico a ser divulgado, cursos de formação e exames de avaliação de competências a nível europeu, em que a SPH poderia participar e aproveitar.

Foi efectuado um apelo ao profissionalismo entre os membros da SPH, relembrando a vantagem de elaboração e divulgação de “guidelines” nacionais para o diagnóstico e tratamento das doenças hematológicas. Nessa altura a Prof. Dra. Letícia recordou a quantidade de trabalho em que a maioria dos serviços está submersa e a dificuldade no envolvimento num projecto desse tipo.

A Dra. Cristina Fraga levantou de novo o problema dos grupos de interesse nomeadamente da extinção do “Grupo de Plaquetas”, que esteve envolvido num trabalho financiado externamente. A Prof. Dra. Maria Gomes da Silva sugeriu que se criasse na agenda um ponto para discussão dos grupos. A Dra. Aida Botelho de Sousa sugeriu que os responsáveis pelos respectivos grupos, na reunião da assembleia-geral, fizessem um relatório de actividades sumário do ano decorrido. A Prof. Dra. Letícia falou do grupo do Glóbulo Vermelho e das doenças raras. A presidente do Grupo Europeu de Doenças Raras, Dra. Graça Porto, mencionou a Newsletter da associação Raríssimas como forma de divulgação informações relevantes neste âmbito, sugerindo que a SPH tivesse um papel mais activo e se envolvesse nos debates periódicos e trabalho com organizações deste tipo e criasse centros de referência.

O Prof. Dr. José Eduardo Guimarães concluiu em conjunto com a Dra. Aida Botelho de Sousa que os grupos deveriam enviar um relatório anual sobre o seu desempenho ao Presidente da SPH.

O debate sobre os grupos continuou e foi dado o exemplo de um estudo patrocinado pela Amgen, no âmbito da Doença de Gaucher, para fomentar um teste de diagnóstico e follow-up. Foi lembrado que a SPH deve ter um papel activo neste tipo de estudos se desenvolvidos por Grupos de Interesse que existam ao abrigo dos seus estatutos, através de pareceres de comissões científicas,  com a colaboração de sócios que avaliem a qualidade dos projectos. A Prof. Dra. Maria Gomes da Silva perguntou se a responsabilidade do projecto/estudo passaria a ser da SPH. O Prof. Dr. José Eduardo Guimarães lembrou que não estavam em discussão ensaios clínicos de intervenção, já que estes requerem aprovação pelas entidades reguladoras e  CEIC, estão sujeitos a regulamentação complexa e acarretam despesas muito significativas (seguros, monitorização, etc.).

O Prof. Dr. Paulo Lúcio mencionou as dificuldades de algumas destas questões e deu como exemplo o estudo observacional patrocinado pelo Grupo de Mieloma. Mencionou a necessidade de gestão contabilística centralizada neste tipo de estudos, que requer uma estrutura que possivelmente a SPH não tem actualmente. Sugeriu que uma comissão formada pelos responsáveis de cada Grupo de Interesse teria idoneidade para decidir sobre o financiamento de projectos semelhantes. Lembrou que o estudo do grupo do Mieloma foi aprovado pelas comissões éticas das Instituições envolvidas e apenas aguarda a concretização de uma gestão centralizada e a viabilização económica. Em alternativa a Prof. Dra. Maria Gomes da Silva perguntou se a SPH teria estrutura para dar resposta à gestão financeira de diversos projectos propostos pelos grupos . O Prof. Dr. Paulo Lúcio perguntou se valeria a pena existir uma estrutura montada para circunstâncias pouco frequentes como esta; o Prof. Dr. José Eduardo Guimarães contrapôs que o debate se deveria centrar em se a SPH deveria ou não ter uma comissão como a já discutida.

A Prof. Dra. Letícia Ribeiro falou na possibilidade de formação de grupos/sociedades independentes com secretariados comuns e levantou a questão do levantamento da informação sobre os ensaios clínicos em curso no país para doentes hematológicos. Fez uma proposta de publicação de todos os ensaios em curso em Portugal, com necessidade de revisão periódica pelos investigadores principais e publicação no site da SPH. Lembrou ainda que tinha sido feito para a presente reunião da SPH um levantamento dos ensaios clínicos a decorrer, apresentando-se os resultados em forma de poster, levantamento para o qual tinha tido a colaboração dos Directores dos diversos Serviços de Hematologia.

Finalmente o Prof. Dr. José Eduardo lembrou diversas personalidades que contribuíram significativamente para a formação da SPH e nesse âmbito propôs a criação da categoria de Membro Honorário/Emérito. A  aceitação de um membro nessa categoria deverá depender de uma proposta feita por pelo menos 5 membros da Sociedade, vir acompanhada de um elogio escrito justificativo, e ser aprovada em Assembleia Geral. Sugeriu que a nomeação poderia ser feita entre os directores de Serviço, dada a sua contribuição para a Hematologia nacional, alem de outras figuras que se tenham destacado, por exemplo como mentores. Esta proposta foi aprovada por unanimidade.

Assim terminou e ficou encerrada a assembleia presente ficando a próxima convocada para 18/11/2016.